Do Mercado #57: Como separar o emocional da tomada de decisão no mercado financeiro?

22 de junho de 2022
Não é fácil desvincular o emocional na hora de realizar grandes decisões, mas, quando essas precisam ser tomadas, o essencial é avaliar o cenário como um todo, comparar os históricos e estudar as perspectivas!
 

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Hoje, falaremos sobre um assunto de aspecto mais psicológico, afinal, é impossível deixar de sentir o momento do mercado, o momento econômico e político. Todos esses sentimentos têm um efeito gigantesco nas tomadas das decisões. 

Recentemente, foi possível ver um movimento, tanto no cenário lá fora quanto no Brasil em que todos os setores da bolsa caíram e até mesmo aqueles que estavam performando bem acabaram sendo afetados, como foi o caso das commodities

Durante a semana passada, o setor de energia, com as grandes empresas de petróleo (ExxonMobil, Chevron) se mostravam, praticamente, em um caminho oposto ao da bolsa. O S&P, na totalidade, estava caindo, mas o segmento energético continuava subindo. Mesmo nos dias em que todos os outros setores caíam, o de energia realizava novas máximas, como se esse fosse um hedge, sendo uma certeza, ou um setor extremamente seguro em um momento quando tudo está indo mal.

Mas, na semana passada, quando esse setor também caiu, um sentimento de desânimo generalizado tomou conta dos investidores, como se nada mais fosse seguro. Esse é um sentimento comum no estágio mais avançado do bear market

Os bonds americanos perderam valor, os títulos brasileiros, os europeus, todos os setores da bolsa, as criptomoedas e até mesmo as commodities. Com isso, a sensação que fica é que daqui para frente, as coisas tendem a piorar, quando, na verdade, já nos encontramos diante da low do ano.

A Bolsa brasileira chegou a bater 99 mil pontos e, nesse momento, a sensação é de que a pior fase vai começar agora. Mas, essa é apenas uma impressão e uma consequência devido aos ativos operarem sob certa dinâmica. 

Bem, é preciso separar as sensações e ser racional. 

O atual risco, pelo fato dos preços terem caído, não é maior! Os preços estavam muito mais longos há uma semana. O preço apenas mudou, mas com isso, o retorno esperado também. Agora, os riscos são menores, porém, a impressão é a de que temos mais riscos. 

Anteriormente, quando a Bolsa estava na máxima — 130 mil pontos — o risco era maior, com as empresas muito mais caras, (o exemplo disso foi Magazine Luiza que na época estava operando 90% acima), era muito mais arriscado comprar, no entanto, a sensação era de euforia e de certezas de que tudo ia subir e qualquer investimento daria certo.

Mas, agora, com tudo mais barato, a sensação que se tem é que tudo vai piorar ainda mais. Bem, isso é um sentimento natural, pois, quando as pessoas perdem dinheiro, elas ficam desanimadas, ainda mais sob um longo período de instabilidades. 

Embora você seja um investidor racional, o ambiente sempre influenciará as emoções, mas, certamente, isso não deve alterar a sua “equação de risco-retorno”, os seus embasamentos, experiências e análises gerais. 

Os sentimentos e as emoções sempre ficam exacerbados, tornando tudo mais intenso quando as máximas ou as mínimas se aproximam, é a euforia contra a depressão. É preciso tentar evitar esse tipo de influência em nossa matriz de decisão. Hoje, as mesmas empresas que estão 30, 40% mais baixas em termos de valor, são oportunidades, ou seja, não há motivos para ter medo

É certo que o ambiente continua desafiador, pois, estamos no final do processo das altas de juros e caminhando para as eleições presidenciais. 

O Brasil, no aspecto macro, se encontra em uma situação mais confortável, entretanto no âmbito político a situação é desconfortável. Enquanto nos Estados Unidos, alguns eventos ainda são esperados, as eleições do Senado e do Congresso em novembro, onde há uma grande expectativa de que os democratas percam o controle das duas casas e o começo do combate inflacionário

O Brasil, de certa forma, está mais adiantado e com os eventos políticos se aproximando. No entanto, evidentemente, esse é um risco novo, porém não é motivo para desespero, pelo contrário! Isso porque as grandes empresas, como as exportadoras, já viveram situações como essas e sabem que vão poder contar com os estímulos que virão da China etc., 

De forma ponderada e sóbria haverá grandes oportunidades sem a necessidade de atribuir o emocional às decisões. 
 

Um grande abraço,
Rodrigo Natali.

Conheça o responsável por esta edição:

Rodrigo Natali

Estrategista-Chefe

Rodrigo Natali tem graduação e MBA pela FGV. É especialista em câmbio e macroeconomia, tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, tendo passado por diversas instituições nacionais e internacionais onde exerceu a profissão de trader e gestor de fundos de investimento multimercado.

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