Do Mercado #39: Usufruindo do fluxo estrangeiro 

14 de fevereiro de 2022
É preciso observar com cautela os objetivos de diversos quando os cenários tendem a mudar, principalmente, de forma repentina.
 

Bem-vindo (a) a mais uma edição da Do Mercado!


Neste ano, em 2022, no começo de janeiro, cerca de 50 bilhões de reais entraram no mercado nacional através do investimento de estrangeiros. Esse é um número real já que o volume de investimento estrangeiro, às vezes, pode ser contaminado por outros investimentos já realizados. Entretanto, dessa vez foi algo certeiro, inclusive em concordância com o fluxo cambial que o Banco Central do Brasil divulgou. 

Esse é um número crível e, há um certo tempo, esse fluxo não acontecia. Esse é um parâmetro alto e repentino. 

Mas, o que se dá primeiro, esse fluxo no Brasil ou as recomendações de investimentos no Brasil? O que ocasiona o quê? 

Ao longo dos últimos quarenta dias, diariamente, é possível observar que certos bancos estrangeiros enfatizam ser positivo comprar ações brasileiras, e que as nossas ações são oportunidades, pois, elas estão baratas e que o momento é bom para investir no Brasil. 

Esse era um viés não visto anteriormente quando o fluxo de investimentos estrangeiros não entrava, logo, essa não é uma simples coincidência. 

Primeiramente, o que vem antes é o fluxo, sempre!

Alguém decide investir no Brasil e o dinheiro começa a entrar. E, observando como os bancos são especializados em realizar market maker, ao olhar esse número de capital investido — 50 bilhões de reais —  ganhar mínimo 1% já seria lucrar 500 milhões de reais. 

E talvez, em breve, esse fluxo pode sair e começar a pagar ainda mais taxas, resultando mais 500 milhões de reais.  

Para as grandes instituições, a impressão é que a indagação pode estar atrelada em estratégias “como fazer com que esse fluxo passe por esses determinados bancos que, obviamente, estão interessados em tais lucros?”.

Uma forma óbvia de conseguir esses lucros é ir até o mercado e salientar: “compre ações brasileiras, e compre através do meu banco, você investidor estrangeiro, ao invés de ir para a Bolsa, tem a possibilidade de realizar swap e garantir seu investimento.”

De certa forma, a instituição financeira que apresenta discursos como esse, vai tentar capturar determinado movimento, e isso inicia quando a frase “tenho uma nova e boa ideia, invista no Brasil” é apresentada.

Mas, na verdade, acontece o contrário!

Afinal, até dezembro de 2021, o fluxo somente era de saída, e, de repente, o investidor estrangeiro entrou.

Esse foi um movimento claro, e avisos não faltaram! Um novo movimento está acontecendo! 

Com a virada do ano, após um mês da entrada desse fluxo, ele foi normalizado, se comportando como se fosse algo do dia-a-dia e que vai se estender pelo resto do ano, algo costumeiro e comum ao qual estamos habituados, mas não estamos!  

É importante lembrar que, esse fluxo vem acontecendo há apenas um mês, iniciou no dia 10 de janeiro (primeiro dia de entrada de fluxo de investimento estrangeiro). 

Até o momento, o fluxo está praticamente zerado, e repentinamente, temos todo o Pregão consecutivo.  

E no momento em que esse fluxo zerar, e as saídas começarem a acontecer, será possível observar outras diferentes posições e comportamentos, o discurso vai mudar e vai ser comum ouvir: “acreditamos que é hora de ficar de lado em relação ao Brasil”, o contrário do que está sendo discursado atualmente. 

Conforme o cenário vai acontecendo, as reações mudam e enganam, mas, nesse caso, é fácil identificar os objetivos dos discursos e saber “quem está dançando conforme a música!”


Espero que tenha gostado da edição!

 

Um grande abraço,
Rodrigo Natali. 

Conheça o responsável por esta edição:

Rodrigo Natali

Estrategista-Chefe

Rodrigo Natali tem graduação e MBA pela FGV. É especialista em câmbio e macroeconomia, tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, tendo passado por diversas instituições nacionais e internacionais onde exerceu a profissão de trader e gestor de fundos de investimento multimercado.

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