Do Mercado #38: O impacto do mercado internacional

7 de fevereiro de 2022
Nesta nova edição, Rodrigo Natali comenta sobre o impacto do mercado internacional, as situações e os fluxos que vem de fora afetando significativamente o Brasil.
 

Bem-vindo (a) a mais uma edição da Do Mercado!

O forte movimento, visto de entrada, dos recursos de estrangeiros na Bolsa desde a virada do ano, é um bom cenário a ser analisado.

Até o momento, praticamente e diariamente, tivemos 1 bilhão de dólares entrando na Bolsa brasileira através dos investimentos realizados por estrangeiros. 

Mas, o que explica esse movimento?

O investidor lá de fora passou a olhar para o Brasil como um país melhor? Ou… há outros motivos que explicam isso? Hoje, olharemos por meio do segundo questionamento!

No exterior, existem motivos que estão fazendo com que o capital estrangeiro busque por outras alternativas. É possível visualizar quais são os caminhos que esse dinheiro vai seguir apenas observando o cenário no exterior. 

Desde novembro de 2021, aconteceu um movimento de rotação na Bolsa norte-americana: os ativos estavam saindo de um setor e indo para outro. Nesse caso, os segmentos de Tecnologia de menores empresas migraram para as empresas de maior valor, concentrando ainda mais em companhias de Energia como ExxonMobil, ou para petrolíferas.

Essa mudança lá fora, desde o início, começou a se replicar no Brasil. 

Não somente aqui, mas os setores de materiais e Energia começaram a performar melhor, e também, as próprias commodities começaram a performar melhor. 

Das mínimas de dezembro de 2021 até o momento, foi possível observar um movimento de alta no petróleo de 50%, a mesma coisa se aplicou para o minério de ferro e com as commodities nas máximas (milho, algodão, soja etc.). 

Na totalidade, os setores de commodities andaram e, obviamente, os países produtores, andaram por consequência.

Essa mudança de destino de capital começou lá fora, dentro da Bolsa norte-americana que, agora, está respingando no restante do mundo e também no Brasil. 

O investimento estrangeiro não é o resultado de uma empolgação com as nossas políticas e muito menos com notícias sobre o Brasil. O motivo é simplesmente o movimento de rotação!

Da mesma maneira que essa dinâmica pode começar, ela também pode terminar. Tudo vai depender dos movimentos lá de fora!

Grande parte de tudo o que está sendo dito aqui no Brasil: “dado que houve uma grande valorização nas últimas semanas…”, “podemos ter a certeza de que a Bolsa irá para 130 mil” e  “que como um todo o mercado vai valorizar”. Bem, essas não são verdades!

Apenas um único setor específico está sendo “puxado” pelos gringos, as grandes empresas e as exportadoras!

Esse fluxo vai continuar até o momento em que a Bolsa estrangeira estiver parada, ou caindo pouco. Se a Bolsa lá fora cair de forma significativa, naturalmente, o investidor estrangeiro vai pegar o dinheiro dos países nos quais investiu (aqueles em que esse investidor não costuma investir) e vão levar novamente.

De repente, caso nenhuma notícia local ruim ou nenhuma notícia que diz respeito à política aconteça, a Bolsa brasileira pode mudar a dinâmica e sofrer com esse fluxo saindo. Como consequência, os nossos ativos voltarão a performar negativamente.

E tudo isso se dá pelo cenário lá fora.

 

Espero que tenha gostado da edição!

 

Um grande abraço,
Rodrigo Natali.

Conheça o responsável por esta edição:

Rodrigo Natali

Estrategista-Chefe

Rodrigo Natali tem graduação e MBA pela FGV. É especialista em câmbio e macroeconomia, tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, tendo passado por diversas instituições nacionais e internacionais onde exerceu a profissão de trader e gestor de fundos de investimento multimercado.

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