Itaú, Bradesco, Santander ou BTG: descubra quem teve o melhor resultado!

9 de maio de 2022
A temporada de resultados continua e, no Relatório Especial de hoje, trazemos o que foi destaque nos balanços dos grandes bancos.

Com o anúncio dos resultados dos maiores bancos privados do país, preparamos uma análise com um indicador um pouco diferente do que usualmente os analistas do mercado utilizam.

Nós estudamos os resultados divulgados e os normalizamos pelo índice de cobertura, ou seja, pelo tamanho da reserva separada para perdas com inadimplência e sua variação entre o primeiro trimestre de 2022 contra o quarto trimestre de 2021.

 

Itaú (ITUB4)

O Itaú divulgou na manhã de hoje (9), um lucro líquido de 6,8 bilhões de reais, em linha com os números do Bradesco. No entanto, a qualidade dos números do banco liderado pela família Setúbal, mais uma vez, teve uma qualidade superior. No entanto, o índice de cobertura apresentou uma redução de 9%, indo de 241% para 232%, uma menor queda na comparação com as demais instituições financeiras e este é o principal indicador que analisamos aqui. Com isso, segundo nossas métricas, o lucro normalizado do Itaú seria de 5 bilhões de reais, dessa forma, esse desempenho foi um pouco menor, mas ainda assim uma entrega de qualidade acima dos demais. 

Bradesco (BBDC4)

O Bradesco teve um resultado intermediário na comparação com os outros dois grandes bancos privados. Com o lucro divulgado em linha com o Itaú de 6,8 bilhões de reais, neste trimestre, a instituição financeira teve um índice de cobertura de 235% ante 260% do último trimestre de 2021. Logo, para o banco manter o mesmo nível de cobertura, teria de ter aumentado sua provisão em 5 bilhões de reais, diante disso, o lucro do Bradesco ficaria 2 bilhões de reais, o que seria bastante abaixo do divulgado, mesmo com um incremento de provisão para devedores duvidosos que foi de 23% no trimestre.     

Santander (SANB11)

Com um crescimento da inadimplência, o Santander teve o resultado mais impactado e a provisão para devedores duvidosos subiu 46%, divulgando um lucro líquido de 3,9 bilhões de reais. Com a carteira do crédito mais exposta ao crédito auto e também às pessoas físicas, o índice de cobertura caiu de 283% para 213%, a maior queda entre os três grandes bancos privados. Normalizando o índice de cobertura, precisaríamos de uma provisão adicional de 2 bilhões de reais, o que deixaria o lucro normalizado em 1,8 bilhão. 

BTG Pactual (BPAC11)

Já o maior banco de investimentos do país, o BTG Pactual, apresentou forte resultado no primeiro trimestre de 2022, crescendo sua receita em 56% em relação ao primeiro trimestre de 2021 e chegando ao valor de 4,3 bilhões de reais. O desempenho mais forte veio no segmento de Sales&Trading, que cresceu 83% frente ao 1T21, e 62% quando comparado ao 4T21. Esse crescimento se deu por conta da maior volatilidade do mercado que ocasionou no maior volume de transações. Além disso, o BTG fechou o trimestre com um lucro de 1,9 bilhão de reais, expandindo 65% na comparação anual. A composição das receitas do BTG é diferente dos bancos tradicionais, por isso, preferimos analisar por diferentes métricas neste caso.

 

Conclusão 

De modo geral, o resultado dos bancos tradicionais foi neutro com a crescente inadimplência e em meio à alta de juros, trazendo desafios para as experientes instituições bancárias. Muito embora conheçam bem esse tipo de cenário, elas estão tendo seus índices de cobertura para perdas reduzidos, o que sem dúvidas é um ponto de atenção. Entre os tradicionais, o que se destacou foi o Itaú. Já o BTG, apesar de ser um negócio um diferente, foi o destaque positivo em nossa visão.

 

João Abdouni, analista CNPI

Nota do editor: os bancos têm grande peso na Bolsa. Mas vale a pena investir nas ações do setor? No curso Valuation Total — Valor Além dos Números, João Abdouni, analista CNPI, ensina a “habilidade obrigatória” para você compor uma carteira de ativos vencedora. Clique aqui para saber mais.

 

Conheça o responsável por esta edição:

João Abdouni

Analista CNPI

Graduado em Contabilidade e administração pela Universidade Presbiteriana Mackenzie, João possui grande experiência em auditoria contábil, trabalhando por anos na Ernst & Young, famosa empresa inglesa de consultoria. Apaixonado pelo mercado financeiro, integra o time de especialistas em investimentos da Inv e está à frente das séries Premium Caps, Ações Alpha dentre outras.

A Inversa é uma Casa de Análise regulada pela CVM e credenciada pela APIMEC. Produzimos e publicamos conteúdo direcionado à análise de valores mobiliários, finanças e economia.
 
Adotamos regras, diretrizes e procedimentos estabelecidos pela Comissão de Valores Mobiliários em sua Resolução nº 20/2021 e Políticas Internas implantadas para assegurar a qualidade do que entregamos.
 
Nossos analistas realizam suas atividades com independência, comprometidos com a busca por informações idôneas e fidedignas, e cada relatório reflete exclusivamente a opinião pessoal do signatário.
 
O conteúdo produzido pela Inversa não oferece garantia de resultado futuro ou isenção de risco.
 
O material que produzimos é protegido pela Lei de Direitos Autorais para uso exclusivo de seu destinatário. Vedada sua reprodução ou distribuição, no todo ou em parte, sem prévia e expressa autorização da Inversa.
 
Analista de Valores Mobiliários responsável (Resolução CVM n.º 20/2021): Nícolas Merola - CNPI Nº: EM-2240