Do Mercado #26: O Mercado é vivo!

15 de novembro de 2021
Entenda por que é impossível fixar ideais em um ambiente que é vivo e está sob constantes mudanças. Algumas formas de investimento podem ser perigosas em um mercado tão instável.
 

 

Bem-vindo(a) a mais uma edição Do Mercado!

Quem acompanha a Inversa sabe que temos uma convicção um pouco diferente do mercado como um todo. Por diversas vezes, nossas posições foram contrárias.

Houve um consenso de que o mercado fecharia o ano nas máximas, com o dólar a R$ 4,50. As expectativas eram boas.

Nós acreditávamos no contrário, sempre enfatizando mensagens de responsabilidade, redução de riscos, ficamos longe de diversos instrumentos que julgávamos arriscados e fora de todos os IPOs; ainda como parte dessa estratégia, optamos por encerrar algumas séries da casa que continham volatilidade, afinal, a segurança dos seus investimentos é nossa responsabilidade e levamos isso muito a sério. 

Ao longo dos meses, buscamos, sempre, posições mais defensivas em renda fixa e títulos ligados à inflação. Na parte de ações, o foco foi empresas grandes com beta (medida da volatilidade) menor e fugimos das small capsjustamente por termos percepções de que o mercado iria se deteriorar, como acabou acontecendo. 

Nas carteiras mais arrojadas, como a da série Você Gestor, ficamos comprados em dólar e vendidos no índice.

Mas chega um determinado momento em que o exagero se sobressai. Hoje, é possível visualizar uma reversão dessas expectativas e da forma como as pessoas estão vendo o mercado, comparando as expectativas atuais com as do início do ano e até mesmo com as do segundo semestre. 

Quando o mercado estava em 130 mil pontos e o dólar estava nas mínimas, parecia uma ideia irrelevante ter um plano contrário e reduzir a posição, quem diria operar contra.

Essa ideia foi considerada absurda, porque, na época, sair de ações muito alavancadas ou não entrar em todos os IPOs significava “rasgar dinheiro” e deixar as oportunidades passarem.

E na ocasião, quando ninguém queria comprar nada em dólar ou produtos dolarizados, havia uma ressaca do mercado cripto.

Ninguém queria saber de criptomoedas e nós, aqui da casa, abordamos o assunto através de nosso especialista Ray Nasser, explicando por que esse mercado iria se recuperar e orientando seus assinantes. 

O mercado de criptomoedas sempre teve expectativas de melhoras, foi se tornando cada vez mais robusto em termos tecnológicos e se construindo significativamente em termos de estrutura. 

E mesmo assim, na época, quando ressaltamos todos esses tópicos, as pessoas não acreditavam. 

Hoje, é possível ver o contrário; as pessoas não querem saber de bolsa no Brasil, e acredito que muito disso tem a ver com os ativos com mais volatilidade (ativos esses que eram os que as pessoas mais gostavam e compravam), que caíram muito. As small caps chegaram a cair até 70% e muitos IPOs também caíram na mesma proporção.

A maioria das pessoas que ouviram as outras casas de análises - que estimularam esse tipo de comportamento - provavelmente se decepcionaram ao olharem para as bolsas como se essas não fossem se recuperar. 

O contrário aconteceu com outros mercados: para que você possa atuar no mercado externo, por exemplo, é preciso comprar dólar, e isso virou a nova moda; ter BDRs (Brazilian Depositary Receipts), conta em instituições como a Avenue Securities (corretora com foco em investimentos no exterior) e comprar ações lá fora. 

Houve um consenso: atuar no mercado externo é bom e não tem risco, mas isso não é uma verdade!

Da mesma forma, quando relembramos dos 130 mil pontos, havia riscos, como foi comprovado (e como aconteceu como o mercado de criptomoedas, que atualmente está na máxima). 

Ao comprar criptomoedas, você também está comprando dólar, e o dólar está na casa dos R$ 5,50. 

Ninguém queria Bitcoin a US$ 30 mil e agora querem a US$ 65 mil. Nós acreditamos no cenário contrário; com esses níveis, as coisas tendem a ficar mais arriscadas.

Não estou dizendo que o mercado de criptomoedas irá se deteriorar, mas digo que o investidor brasileiro está olhando para fora do país, onde os preços estão nas máximas, com uma visão de que a estabilidade é certa, deixando de olhar para o que está acontecendo aqui, movimento que conhecemos melhor e temos mais controle.

Hoje, em nossas carteiras, estamos gradualmente começando a ter uma visão bem mais otimista com o futuro da bolsa, do Ibovespa, do MATB11 e de algumas ações que você pode acompanhar através dos nossos produtos aqui da Inversa (e que estão com uma promoção de Black Week imperdível. Veja aqui os preços promocionais).

Essa é uma mudança significativa para nós, porque está acontecendo novamente. Agora, as pessoas adotam uma visão quase que pessimista. 

Parece que nenhuma notícia que sair durante este período pode ser boa.

Por exemplo, a PEC dos Precatórios, que permite que se tenha mais gastos no ano que vem sem acabar com o teto de gastos. 

Todos nós da Inversa estávamos pessimistas com o mercado; eu, em particular, creio que chegou a hora de virar a chave. Está na hora de ficar comprado em ativos brasileiros e ser mais otimista.

O brasileiro está olhando para forapara o Bitcoin e BDRse esquecendo daqui de dentro.

Essas coisas são cíclicas...

Basta que o mercado comece a subir um pouco aqui e corrigir um pouco no exterior, ou que até mesmo pare de subir, que esse movimento e esse dinheiro volta ao Brasil.

Mas, como os novos investidores estão gerando receita, há uma geração de caixa que pode vir para dentro do país novamente. Esse é um motor que pode ajudar a bolsa a voltar a ser um investimento, como foi nos últimos meses. 

Em particular, julgo que essa foi uma edição especial, que marca uma mudança de visão macro. Obviamente, reservo o direito de mudar de opinião sempre, afinal, o mercado é vivo!

Espero que tenha gostado.

Um abraço,

Rodrigo Natali

 

Conheça o responsável por esta edição:

Rodrigo Natali

Estrategista-Chefe

Rodrigo Natali tem graduação e MBA pela FGV. É especialista em câmbio e macroeconomia, tem 25 anos de experiência no mercado financeiro, tendo passado por diversas instituições nacionais e internacionais onde exerceu a profissão de trader e gestor de fundos de investimento multimercado.

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